quinta-feira, 3 de junho de 2010

Aprendendo com um Milho de Pipoca

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por qual devem passar os homens para que venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca, pra sempre.
Assim como a gente, as grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, tirar notas baixas, ficar pobre.
Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade de grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, ficando cada vez mais quente, pensa que a hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar o que está por vir. A pipoca não imagino do que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a transformação acontece: Puft! E ela aparece como uma outra coisa, totalmente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia, que surge do casulo como borboleta estonteante.
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo, são a dura casca que não estoura. O destino delas é lastimável. Ficarão fechadas em si a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria pra ninguém.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Aprendendo com um Milho de Pipoca

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por qual devem passar os homens para que venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca, pra sempre.
Assim como a gente, as grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, tirar notas baixas, ficar pobre.
Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade de grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, ficando cada vez mais quente, pensa que a hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar o que está por vir. A pipoca não imagino do que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a transformação acontece: Puft! E ela aparece como uma outra coisa, totalmente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia, que surge do casulo como borboleta estonteante.
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo, são a dura casca que não estoura. O destino delas é lastimável. Ficarão fechadas em si a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria pra ninguém.

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